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Museu da Justiça e Arquivo do TJRJ recebem visita de professor de Harvard

Professor de Harvard conheceu as instalações do Arquivo Central do TJRJ, que possui mais de oito milhões de itens em seu acervo permanente O professor do Departamento de História de Harvard, Sidney Chalhoub, conheceu as instalações do Museu da Justiça e do Arquivo Central do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) nesta quinta-feira, 13 de agosto. As visitas foram promovidas pelo Serviço de Pesquisa, Educação e Assessoramento aos Pactos Nacionais Afetos à Temática de Direitos Humanos e de Equidade Racial (SEEDH) do Núcleo de Atenção e Promoção à Justiça Social (Napjus).  Estudioso do período da escravidão no Brasil há décadas, Chalhoub utiliza os processos judiciais como fonte de pesquisa. Sua tese de doutorado, que se transformou no livro "Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na corte", teve boa parte desse trabalho realizado a partir do exame de processos arquivados no I Tribunal do Júri, que funcionava onde hoje está localizado o Museu da Justiça.  Durante a visita ao Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, ele pôde voltar ao local em que, com autorização de um juiz, passou horas se debruçando sobre depoimentos dos processos de pessoas escravizadas que buscavam na Justiça a liberdade.  "Eu fui estudar esses processos, entender o que as pessoas utilizavam como argumento para obter o direito à liberdade. Em geral, eram situações que tinham a ver com a ideia de que o senhor libertou um escravizado e, por algum motivo, a vontade do senhor de libertar esse escravizado não estava sendo obedecida".                                Sidney Chalhoub retornou ao salão do antigo Tribunal de Júri, onde pesquisou processos para sua tese de doutorado Para o professor, esses documentos são a principal fonte para compreender as experiências vivenciadas por pessoas que não tinham a possibilidade de contar suas próprias histórias.  Ainda no Museu, ele foi apresentado aos detalhes da arquitetura do prédio, ao trabalho de restauração de documentos e às exposições em cartaz. Ao final, recebeu da diretora Siléa Macieira os livros "O Vale da Escravidão" e "Julgamentos que Entraram para a História".  Já no Arquivo Central, Chalhoub foi recebido pelo diretor do Departamento de Gestão de Acervos Arquivísticos (DEGEA), Márcio Teixeira, e pelas equipes responsáveis pelo tratamento dos mais de oito milhões de itens que compõem o acervo permanente. Ele conheceu os espaços em que os processos são recebidos, separados e disponibilizados para consultas. O acervo do TJRJ, que antes servia apenas para fins judiciais, passou a ganhar relevância para pesquisadores e historiadores.  Ao refletir sobre a importância da preservação desses registros, Chalhoub destacou que a História é fundamental para qualquer sociedade democrática.  "Não existe democracia sem direito à memória. Para as pessoas se posicionarem em relação ao modo como elas estão no mundo e ao que elas vivem, é muito importante ter uma noção da trajetória e de como as coisas mudaram ao longo do tempo. As pessoas não escolhem a maneira como elas vivem. Podemos nos ver em circunstâncias que não são naturais, são construções históricas. E se você entende que elas são construções históricas, entende também que pode transformá-las", completou o historiador.  PB/ MG Fotos: Felipe Cavalcanti/TJRJ  
14/08/2026 (00:00)
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