Limites da inteligência artificial: professor Lenio Streck discute novo livro no Centro Cultural
O professor Lenio Streck e o diretor do Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa, Luã Jung, durante evento realizado na última quinta, 26
Uma aula sobre a relevância da inteligência artificial e seus impactos no mundo jurídico e do trabalho marcou a participação do professor e jurista Lenio Streck como convidado do Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa, do Centro Cultural do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro (CCPJ). O encontro integrou mais uma edição do programa Observatório em Diálogo, realizada na quinta-feira, 26 de março, no Auditório Desembargador Nelson Ribeiro Alves.
O encontro refletiu sobre os temas abordados no seu novo livro, Robô não desce escada e trapezista não voa: os limites dos aprendizes de feiticeiro. A obra propõe uma reflexão sobre o avanço da inteligência artificial (IA) no campo jurídico e chama a atenção para os riscos de sua adoção sem critérios, evidenciando impactos sociais, éticos e cognitivos. O autor destaca que o entusiasmo com soluções tecnológicas pode ocultar os limites e possíveis consequências.
Em sua análise, questiona a ideia recente de que a inteligência artificial representaria um atalho para a solução de problemas complexos, ao oferecer respostas mais ágeis do que aquelas produzidas por meios humanos.
“A IA gera também uma ameaça aos empregos. Hoje em dia, o chaveiro da esquina tem um robô. Os bancos, os caixas foram demitidos e as empresas não atendem mais telefones. Essa é uma coisa para a gente refletir e defender a classe para que nós não sejamos inúteis”, afirmou.
Nesse contexto, o professor propõe uma reflexão sobre os riscos da exaltação acrítica da tecnologia. Lenio Streck utilizou a “Fábula Inacabada dos Pardais” para ilustrar, de forma didática, os riscos do uso da inteligência artificial. Na história, os pardais vivem em harmonia até decidirem contratar uma coruja para ajudá-los — cuidar dos mais velhos, proteger os filhotes e melhorar a vida coletiva. Um dos pardais, mais cauteloso, alerta que seria necessário primeiro adestrar a coruja, prevenindo possíveis consequências. A advertência, porém, é ignorada.
Com o tempo, a decisão se mostra desastrosa: a coruja, mais forte e predadora, passa a atacar os próprios pardais, destruindo aquilo que deveria proteger. A fábula funciona como uma metáfora para o uso da tecnologia sem controle ou preparo adequado. Ao relacioná-la à inteligência artificial, Lenio destaca que, sem limites, compreensão e governança, ferramentas criadas para auxiliar podem produzir efeitos contrários, gerando riscos e impactos negativos.
A conversa foi mediada pelo diretor do Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa, Luã Jung, que destacou a presença do professor Lenio Streck, os textos reunidos na obra e os debates sobre o papel da tecnologia e o aperfeiçoamento dessa inovação.
VS/IA
Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ